ATENDIMENTO AO CIDADÃO

MPPA oferece denúncia contra acusados da “Chacina de Baião”

Foram duas chacinas em menos de 24 horas, nas quais 6 pessoas foram brutalmente assassinadas na zona rural
Baião 01/07/19 17:03

Na última sexta-feira (28), o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio do promotor de Justiça de Baião, Márcio de Almeida Farias, ofereceu denúncia contra cinco pessoas acusadas dos assassinatos que ocorreram no município, em março de 2019. Foram duas chacinas em menos de 24 horas, tendo o mesmo mandante, o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, mais conhecido como Fernandinho, bem como os executores dos crimes.

Conforme os autos do Inquérito Policial, seis pessoas foram brutalmente assassinadas entre a noite do dia 21 de março de 2019 e a madrugada do dia 22 de março de 2019, na zona rural do Município de Baião/PA.

Entre as vítimas, está a ativista do Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB), Dilma Ferreira Silva. As outras vítimas são Venilson da Silva Santos (Vinícius), Raimundo Jesus Ferreira (Raimundinho), Marlete da Silva Oliveira, Milton Lopes e Claudionor Amaro Costa da Silva.

A denúncia do Ministério Público do Estado do Pará é pelo crime de homicídio qualificado (art. 121, §2º, incisos I, III, IV e V, do Código penal Brasileiro), por 6 vezes, contra o mandante dos crimes Fernando Ferreira Rosa Filho (vulgo Fernandinho); Valdenir Farias Lima (vulgo Denir); Glaucimar Francisco Alves (vulgo Pirata), que está foragido; Cosme Francisco Alves (vulgo Negão), como sendo os executores dos crimes, e o acusado Juciel dos Santos Pinheiro (vulgo Inheco), pelos crimes de Favorecimento Pessoal (art. 348) e Favorecimento Real (art, 349) ambos do Código Penal, por ter ajudado a esconder os criminosos, além de guardar armas e produtos de roubo.

Valdenir, Glaucimar e Cosme responderão ainda pelo crime de roubo, pois subtraíram objetos da casa de Dilma Silva.

“Durante as investigações foram decretadas as prisões preventivas do mandante e dos executores. Com o oferecimento da denúncia, o Ministério Público pretende levar os acusados para o Tribunal do Juri”, disse o promotor de Justiça Márcio Farias.

O Ministério Público requer ainda, que se determine a citação dos denunciados para oferecimento de defesa escrita e que no prazo legal, sejam pronunciados com vista a serem submetidos a julgamento e condenados pelo Tribunal do Júri. 

O caso

Na noite do dia 21 de março de 2019, na fazenda de propriedade do denunciado Fernando Ferreira Rosa Filho, localizada a 30 km da Vila do “KM 50”, na Rodovia Transcametá (BR 422), Venilson da Silva Santos (Vinícius), Raimundo Jesus Ferreira (Raimundinho) e Marlete da Silva Oliveira, funcionários de Fernandinho, foram alvejados com disparos de arma de fogo em suas cabeças, tiveram seus corpos arrastados e sobrepostos dentro da casa em que moravam e ali dentro, foram carbonizados.

Conforme os autos do inquérito, um dos motivos que impulsionou o denunciado Fernando a mandar executar os seus funcionários, foi o fato de que eles estariam reclamando de suas condições de trabalho, de não estarem recebendo os seus salários e dizendo, inclusive, que se não recebessem os seus direitos trabalhistas, eles iriam denunciá-lo às autoridades.

Em seguida, e na mesma empreitada criminosa, no Assentamento Renato Lima (Salvador Alhende), distante aproximadamente 20 km do local dos primeiros três homicídios, Milton Lopes, Claudionor Amaro Costa da SIlva e Dilma Ferreira Silva também tiveram suas vidas ceifadas brutalmente a golpes de faca. A possível razão da morte das vítimas, foi porque Dilma, ativista do Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB), começou a reclamar e a ameaçar “denunciar” a atividade ilegal dos fazendeiros às autoridades (Polícia e Ibama).

Diante da resistência da vítima Dilma que insistia em reclamar do trafego de caminhões de madeira naquela estrada, o denunciado Fernandinho também resolveu encomendar a morte da ativista de movimentos sociais, a qual era chamada pelos criminosos de “Presidente do mato”. Em decorrência da encomenda de seu homicídio, todas as outras pessoas que estavam no bar, Claudionor que era companheiro de Dilma, e Milton que era cliente do bar, também foram executados nessa segunda chacina, obviamente, para não deixar testemunhas do crime. Ou seja, os dois foram mortos porque estavam no lugar errado e na hora errada!

Após esses crimes, alguns objetos foram furtados do local. Ante as proximidades entre os locais dos crimes, de alguns elementos de informações colhidos na região e circunstâncias dos crimes, foi apurado que houve uma ligação entre ambos os crimes. Por essa razão, as equipes policiais que atenderam os casos, se reuniram e elaboraram conjuntamente um único relatório preliminar de informação que já foi colacionado aos autos, com base no qual o Ministério Público ofereceu a denúncia.


Texto: Assessoria de Comunicação do MPPA
Foto: Amazônia Real

 

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